O Rogate

Nosso Carisma: O Rogate
“A messe é grande mas os Operários são poucos”. Mt 9,37
Padre Aníbal vai aprofundando, de maneira admirável esse versículo do Evangelho. Percebe-se que seu coração bate uníssono com o de Cristo e afirma, sem medo de errar “Quando Nosso Senhor dizia essas palavras, todas as regiões do mundo, até o fim dos séculos, e deplorava a escassez em certos tempos mais graves de Operários do Evangelho.”
Ele tinha certeza absoluta da penetrabilidade daquele Divino Olhar através dos séculos. Cristo não foi o Homem-Deus de um momento apenas da história, mas o é de todos os tempos, do caminhar da história. E quer comunicar tudo aquele que O preocupa, a cada um de seus seguidores. E o Padre assume, até as últimas conseqüências, tudo quanto se passa pelo Coração de Jesus: “Ora, se pensarmos em nosso tempo, não podemos deixar de participar da aflição do Coração de Jesus, vendo a escassez daqueles que devem recolher a Messe; a Igreja está empobrecida, as almas parecem, a desolação profetizada pelo profeta Daniel se estende, para preocupação imensa dos pastores da Igreja, que vêem suas dioceses sem sacerdotes e, às vezes, até muitas paróquias sem Padres...”
Para o Padre Aníbal é, sem dúvida, BOM OPERÁRIO, em primeiro lugar, o Sacerdote. E para com o Sacerdote ele é todo respeito, preocupação, veneração: “Só o Sacerdote católico pode difundir no mundo a luz da verdade: Nosso Senhor Jesus Cristo disse aos Sacerdotes: Vós sois a Luz do mundo, Vós sois o Sal da Terra, e se este Sal se torna insípido, como se salgará? (Mt, 5,13). Isso quer dizer: se faltar o ministro do Santuário, como as almas poderão se salvar?
...Não são os Sacerdotes os novos cristos, enviados por Jesus ao mundo, como Ele mesmo foi enviado pelo Pai?
...O sacerdote tem, ele só, o grande poder de destruir o reino do pecado e de modificar a face da terra. Este tem um poder que não deste mundo, uma força divina, um segredo milagroso, com o qual conquista os corações e torna importante todos os poderes contrários.
A história de 19 séculos de Cristianismo comprova e valoriza essa verdade...
...É verdade que o laicato católico é fonte de inúmeros operários, mas como pode existir o laicato sem o sacerdócio que, direta ou indiretamente o cria? “Mesmo as virgens consagradas ao bem espiritual e temporal do próximo, são filhas do Sacerdócio católico”.
É impressionante o afeto do Padre Aníbal para com o Sacerdote. E como procurou transmitir esse sentimento aos seus filhos e filhas! Basta pensarmos na sua maneira de se referir ao Sacerdote, de socorrê-los em suas necessidades materiais e mesmo espirituais.
Porém, o Padre não pára aí, no Sacerdote, quando se refere aos “Bons Operários”. Vai apontando quem são os BONS OPERÁRIOS, admitindo em base, que estes dependam do Apostolado Sacerdotal: “Aquele Divino Rogate não se refere só aos Sacerdotes...mas também a todos quanto o Altíssimo estimula com a Sua Graça a fazer o bem dentro da Igreja, na grande Messe das almas”. E explica: “Pedir bons operários para a Igreja, quer dizer, em 1º lugar, pedir SACERDOTES SANTOS, como Deus quer que eles sejam, RELIGIOSOS e RELIGIOSAS e mesmo LEIGOS, que repletos do Espírito de Deus e de zelo se empenham na salvação das almas e do mundo inteiro, de modo todo especial. São ainda bons operários, os educadores. Maus educadores que se espalham pela terra são o flagelo, a catástrofe! ...E infeliz da juventude que cai nas suas mãos!
Essa Oração se refere também aos pais que têm nas mãos a grande Messe das futuras gerações, para que saibam identificar com o próprio exemplo, os filhos e os eduquem para aquele fim para o qual Deus a eles os confiou. E o Padre se lamenta: “Mas quão raros são esses pais e como muitas vezes o lar, a família, passam a formar aquele “mundo” que é um dos inimigos do homem”.
Se refletirmos mais seriamente sobre o espírito Rogacionista do Padre, percebemos quão imbuído ele estava daquele sentimento de Jesus que se manifesta de ponta a ponta, nos Evangelhos. Todo o Evangelho, toda a vida de Cristo é Rogacionista, desde a Encarnação (Encarnou-se para salvar o homem e ensiná-lo a ser instrumento de salvação para o mundo) até à Cruz (onde num esforço supremo de seu Divino Poder, readquire para cada homem a capacidade - nem sempre bem aproveitada – de ser realmente “homem”, segundo o exemplo que Ele viera dar) prosseguindo com Sua Ressurreição (garantia infinita para todos que lutam por construir-se a si próprio e ajudar na construção de um mundo humano e digno). O ROGATE foi por assim dizer, a Divina Assinatura de um Plano Divino de salvação, de construção do Reino.
Padre Aníbal parte dessa assinatura e se envolve na realidade do Evangelho, enamorand0se de tudo aquilo que preocupava o Cristo. E com esse espírito, seu olhar se dilata, se expande, como o de Cristo, não só quanto ao Campo de Trabalho, mas também quanto à sua maneira de rezar e ao conceito exato das Divinas afirmações feitas no Evangelho, como é o caso de “Bons Operários”.
Vemos no Padre um como que prolongamento de Cristo na história: um homem CRISTIFICADO. E isso ele tentou, não só comunicar, mas transferir para seus filhos. Deveríamos nos espelhar no Padre para vivermos a Vocação Rogacionista. Temos de ser a extensão do Padre, na Igreja.

Vida Rogacionista
A vida Rogacionista é feita de Oração e Ação. Se esse binômio não existisse, ela é falsa. O mesmo Padre Aníbal afirma: “Pedir ao Senhor que mande Operários à Sua Igreja e não dar a própria colaboração, podendo devendo, é rezar em vão. Nós devemos rezar, mas ao mesmo tempo, trabalhar também nesse sentido”.
Quanto à ORAÇÃO só chegaremos a rezar mesmo, quando estivemos conscientes da importância daquilo que pedimos. E a quantos anda o nosso conceito sobre o Sacerdote, sobre a Vida Religiosa Consagrada, sobre o Matrimônio (que poderíamos chamar de Mãe de todas as vocações), sobre o cristão consciente, engajado na Igreja, sobre o HOMEM – imagem e semelhança de Deus? A quantos anda a nossa preocupação e consciência do que seja a IGREJA? Só partindo de um CONCEITO verdadeiro de tudo isso, poderíamos chegar a REZAR e a nos PREOCUPAR, como Jesus se preocupou e como o Padre se preocupou e VIU o ROGATE.
E se realmente REZAMOS, também sentimos necessidade de dar algo de nós mesmos, de TRABALHAR, de sacrificar-nos, de evangelizar, de testemunhar, de colaborar... Tudo isso pode ser feito sem consciência; nós, porém, temos de realizar tudo com CONSCIÊNCIA ROGACIONISTA. O ROGACIONISTA (e nós o somos) é duplamente cristão: é cristão pelo Batismo e é por uma CONSAGRAÇÃO ESPECIAL: a do compromisso com o Cristo e com o Homem, através do espírito Rogacionista.
O mesmo trabalho feito por qualquer cristão ou Religioso e feito por um Rogacionista é diferente, pois o Rogacionista tem por dever um maior aprofundamento, uma visão mais ampla, mais profunda, mais CRISTIFICADA, devido à sua formação consagração Rogacionista. Com o Voto Rogacionista nós nos comprometemos seriamente em nos deixar CONTAGIAR pela DIVINA PREOCUPAÇÃO DE JESUS ao se fazer HOMEM e VIVER entre nós.
Nas 40 declarações e promessas que o Padre deixou para seus filhos, encontramos esse propósito:
[...]prometo que sob a orientação da Santa Obediência, não me pouparei em nada, pelo bem espiritual e temporal do meu próximo. E para estender-se - se possível fosse – essa caridade a todo mundo, de modo a abraçar intencionalmente e universalmente o maior bem espiritual e temporal do meu próximo presente e futuro, terei grande estima pela “ROGAÇÃO EVANGÉLICA” do Coração de Jesus, que é missão específica da Congregação; portanto, elevarei súplicas ao Altíssimo por esse fim, na Santa Missa, na Oração, na Santa Comunhão, na Visita a Jesus Sacramentado, no Terço, e não deixarei de exortar a isso os meus Irmãos e principalmente as crianças da Catequese.
E falando diretamente as F.D.Z. sobre a importância do 4º Voto, volta a insistir: “Essas Santas Vocações, esses Ministros do Santuário, esses bons operários, esses novos apóstolos, serão objeto particular de todas as práticas de Piedade e de Apostolado das Irmãs dessas Congregação. Para que tal Oração obtenha maior efeito, as Irmãs procurem torná-la popular, tornando-a conhecida pelas pessoas acolhidas no Instituto e ensinando aos outros, o quanto seja possível. E suplicarão ao Senhor para que se expanda esses espíritos de Oração”. (Normas 06/10/89)

Oração Comprometedora:
A cada instante temos que nos ROGACIONISTAR; isto é, questionar a nossa vida de acordo com o espírito Rogacionista.
E o ROGATE deve levar-nos à conversão. Se pedirmos “bons operários”, antes de mais nada, temos de ser, nós mesmos, “bons Operários na Vinha do Senhor” (nossa maneira de ser, nossa vida, nossa maneira de testemunhar e de ser cristão, de ser Igreja).
No apostolado temos de transparecer o nosso “SER ROGACIONISTA”: nossa vida, nossa preocupação nossa oração, nosso trabalho... enfim: somos cristãos, Religiosos, Apóstolos Rogacionistas, diferentes dos demais (embora envolvidos, talvez, pelo mesmo ideal de apostolado, de vida, de santidade).
Somos herdeiros de um CARISMA. E portadores de uma espiritualidade própria.

Doloroso Mistério:
Percebe-se que o versículo Rogacionista ficou esquecido nas páginas do Evangelho durante séculos. Se um ou outro lançou os olhos sobre ele, foi ao acaso, sem aprofundá-lo. Com o Padre Aníbal, a visão foi outra: ele foi estudado, aprofundado, transformado em VIDA, em IDEAL, em ESPIRITUALIDADE PRÓPRIA. E daí a divulgação tornou-se notória.
Quanto o Padre escreveu e falou sobre o ROGATE! Isto, até no Processo de Beatificação causou espanto aos Teólogos: “O servo de Deus foi de tal modo consciente da necessidade da Igreja de ter numerosos e dignos operários e da eficácia do remédio evangélico para conseguir tal fim que, no seu trabalho, arrastou – por assim dizer – céu e terra. Tal argumento foi a razão de sua vida, a nota dominante dos seus escritos, a característica da sua obra”. – São palavras de um dos teólogos censores da causa da Beatificação.
E o Apóstolo Rogacionista foi tentando invadir a Igreja com o seu fervor Rogacionista. Em 11/07/1909, pediu e obteve de Pio X licença para juntas às Ladainhas dos Santos, depois do versículo: “UT DONNUM...” o versículo Rogacionista: “UT DIGNOS AC ANCTOS EM TUAM COPIOSE MITTERE DIGNERIS, TE ROGAMUS AUDI NOS”.
Percebe-se que o Padre foi o Apóstolo escolhido para divulgar o Mandamento Rogacionista na Igreja. E esse Apostolado ele continua a fazer através de nós, seus filhos e filhas. SOMOS, por assim dizer, A EXTENSÃO DO PADRE EM NOSSOS DIAS. Continuamos o COMPROMISSO por ele assumido com Cristo que se lamenta ante a falta de Operários para a Igreja.
Somo responsáveis porque livremente, escolhemos e assumimos a missão de tornar evidente e urgente a Súplica pelas Vocações, ao lado do Apostolado Vocacional que não é só estimular e convidar, mas que é também o assumir conscientemente a própria vocação, tornando-se “Bom operário do Reino”. Irmã Maria José Ferreira (FDZ)




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